Se passou mais de um ano desde que escrevi algo de fato íntimo para mim.
O máximo que exercitava do dom das palavras era em chats, textos e e-mails de trabalho. Pouca margem havia para me expressar enquanto autor.
Dentre as justificativas da minha procrastinação estava o desgosto que me abateu de lá a aqui. Um desprazer acarretado do mesmo trabalho que tanto dedicava, o mítico sonho empreendedor embalado como pejotização. O pagamento? Um presente em formato de tendinite em ambos os braços.
Conforme o ano foi seguindo, fui reparando que esse amigo, que na época se dizia sócio na construção desse projeto liberal, gradualmente foi se afastando dessa empreitada fantasiada de parceria. O tempo passava, cada vez mais sentia seu desinteresse em permanecer junto a mim, até que a ficha caiu. Era um discurso motivacional soft-coach. Sim, eu caí! Dia após dia. Semana após semana. Mês após mês… O que antes era meu sustento se tornou minha tormenta. Um esquema onde eu sem querer arranjei um carrasco pomposo.
Sorte que pude contar com a pouca linha de crédito que tinha. Ironicamente, com o limite de um cartão que foi sendo usado para pagar o outro, uma imensa bola de neve se formou e desliza até hoje sob minha cabeça, coração e noites mal dormidas.
Agora, comparada a minha versão de 2024, a de 2025 sente que amadureceu e muito. Estranhamente, enquanto escrevo esse texto, me sinto a pessoa mais feliz do mundo.
Saboreio tudo o que superei e vivi com relação a esses desejos juvenis. Tive a trajetória, os aprendizados e todas as fantasias que queria realizar. Encaro os tombos que levei como necessários para conseguir chegar e ter a chance de escrever essas e futuras palavras.
Percebo que existe muita gratidão em mim, mesmo com cada boleto não pago e por cada dor em meus braços. Estou sentindo uma luz emanar.
Finalmente me sinto realizado. Daqui para frente, só desejo voar.






