Contos De Lençóis #001 | Em Público | Saindo Um Pouco Da Rotina Com O Boy Do Ônibus
Um universitário acorda pela manhã esperando ter mais um dia pacato de sua rotina, mas inesperadamente uma situação atípica o acontece, um gostoso no ônibus
⚠️ O conteúdo a seguir não é recomendado para menores de dezoito anos
A história, todos os nomes, personagens e incidentes retratados nesta produção são fictícios. Nenhuma pessoa real (viva ou falecida), lugar, edifício ou produto deve ser inferida a partir desta obra.
Desde sempre estou acostumado a ter uma rotina integral de estudos. Atualmente faço faculdade no período da manhã, já me considero bastante privilegiado por isso, mesmo morando na PQP desta metrópole.
Como de praxe, hoje acordei esmurrando o despertador do celular; tomei um xote de coragem para levantar; entrei no banho ao som dos clássicos dos anos dois mil usando minha escova de dentes como microfone da minha turnê mundial e finalizei o ritual como de costume.
Ainda um pouco úmido, me sentei na cozinha com uma xícara de café aguado que meu colega de república havia deixado passado. Não costumamos nos ver pessoalmente com tanta frequência, apenas trocamos DMs relacionadas com a rotina da casa, nada mais.
Meio pacote de bolacha cream cracker, um pouco de entretenimento barato de redes sociais e o último cigarro de uma marca genérica, aliás, o único que o dinheiro desse mês me permitiu comprar, me apresso para terminar de me arrumar.
Mais um ritual começa… O checklist: as chaves; a mochila; a carteira com os cartões de crédito no rotativo; o bilhete do transporte; fone de ouvido e o celular, o mesmo que anda em meu corpo acoplado, este está com todos os pontos de atenção possíveis nesta checagem, afinal, moveria montanhas, mas sem ele não existo.
Pronto! Encaminhado no final de uma oração mais um pedido para Deus me fazer prosperar nessa vida, mesmo que meu destino acabe sendo um emprego de merda, finalmente saio de casa.
O sol tímido se escondendo atrás dos prédios faz da minha estadia no ponto de ônibus até que agradável, mesmo sem banco para sentar. O cheiro do chorume do lixo batendo solto ao vento não se faz tão irritante quanto o maldito fone que começa a parar de funcionar.
Quinze minutos de um incansável exercício de paciência depois o ônibus chega. A viagem durará uns quarenta minutos, caso forças maiores não surjam, já se encontra superlotada e com notas de sovaco fedido pelo ar. A coletânea de músicas ainda vibra em meu ouvido, mesmo com algumas falhadas casuais, acompanhada da sinfonia do barulho do motor e murmúrios de outros passageiros conversando.
Após desbravar um mar de gente, de todas as formas, cores e alturas, chego próximo à porta de saída, o melhor lugar para se surfar na viagem de uma lotação. Na minha frente há um espaço para cadeira de rodas, também tomada por um grupo de pessoas, mas como praticamente irei até o final da linha, me espremo em busca de um lugar para mim.
Preferiria ir encostado em uma parede, mas como nada nessa vida é perfeito, ao menos a vista na minha frente é bonita. Um cara de regata, um tanto esbelto e suado ajuda a compor o aroma típico de transporte público.
O vai e vem das pessoas me põe cara a cara com esse rapaz, atrás dele só os vidros segurando nossos corpos. Eu, um tanto constrangido, toda vez que me pego tocando o corpo dele me coloco a pedir desculpas, mesmo ele aparentemente não dar tanta bola, retribuindo apenas com um sorriso de canto de boca.
De tanto a situação se repetir, o meu rosto que antes andava quente de vergonha começou a se acostumar com o toque quente da barriga dele na minha. Uma das minhas mãos segura minha mochila e a outra em uma das barras suspensas do ônibus.
A frequência incessante que este ônibus pula nas ruas dessa cidade é de constranger as promessas que qualquer político fez de arrumar este pavimento. Mas por outro lado, o lado pervertido na verdade, comecei a reparar que as costas da mão que segurava a mochila começou a encostar na bermuda do rapaz e a cada subida e decida que o ônibus fazia um movimento bastante sugestivo surgia.
Chegou uma hora que comecei a reparar que ele estava ficando meia-bomba. Nessa hora meu rosto voltou a esquentar, vermelho fogo. Afinal não podia aferir que era um homem que gostava desse contato com um desconhecido logo de cara em público, mas aparentemente estava gostando. Com essa dualidade em minha mente nem na cara dele estava conseguindo olhar mais.
Embebecido no mar de meus pensamentos, eis que reparo que ele havia ficado duro. Choque! Automaticamente meu rosto se dirige ao dele, parecia instintivo, nosso olhar se cruzou, mas não da maneira superficial que estávamos levando nosso contato até então. Os olhos dele estavam em mim, foi aí que comecei a reparar na existência dele, até então ele parecia ser mais uma das silhuetas que compunham a cidade nesta manhã. Queria poder ver minha reação por fora, o mesmo parecia se materializar.
Ele sorriu para mim, não mais só com o canto, mas com toda a extensão da boca. Entendi o que queria dizer, naquele momento relaxei, e o medo que me abatia praticamente sumiu. Deixei a bolsa no chão, entre minhas pernas para não fugir, e comecei a alisá-lo com toda minha mão, o movimento era um tanto limitado por conta do espaço, mas só de ver em seu rosto o prazer, ganhou o meu dia.
O vai e vem, o aperto, toda aquela situação parecia que estávamos em um esconderijo, só nós dois aparte do mundo, mesmo com tanta gente em nossa volta em público. A música no fone parecia não existir, dava para ver a respiração dele acelerar, queria gemer, a boca estava entreaberta, a qualquer momento as notas iriam escapar.
Olhávamos para lá e para cá, ele para mim, eu para ele, ambos em sintonia na encenação. Mas havia momentos que parávamos e parecia que tínhamos um pacto, um segredo, uma coisa que ninguém mais tinha, mesmo que por um instante.
Ele começa a mexer a boca, as palavras, mesmo que mudas eram audíveis “vou descer na próxima”. O respondo, igualmente em silêncio “eu também”. Naquele momento um sorriso bobo surge em nós dois, me senti completo.
Descemos e rapidamente o vejo correndo para se sentar em um ponto de ônibus, admito ter estranhado, mas me contou que iria ficar quietinho ali um pouco para deixar seu pau diminuir. Por um momento havia esquecido que estar de pau duro em público poderia ser um problema, a sorte era que não havia mais ninguém ali para testemunhar o seu volume.
Conversamos, rimos, trocamos números e nos despedimos. O contei que aguardaria mais um ônibus, entretanto não sabia que desci só para o acompanhar, na verdade, pegarei a mesma linha que descemos a pouco. Enquanto espero deixar registrado essa história para não esquecer da manhã mais inesperada que tive.






