Nos últimos tempos ando reparando que estou sendo sufocado. Sufocado pela rotina, insegurança, pressão social, mas a cereja do bolo é o peso da minha própria consciência de não estar sendo “produtivo”, seja lá o que isso signifique…
As abas do meu navegador me entristecem, vejo esse bando de conteúdo que achei, as indicações, referências e afins, entretanto parecem que nunca conseguirei apreciá-los da maneira que devia.
Os dias que passo sem ligar o computador me fazem sentir mais consciente, não me fazem encarnar o papel de um mero passivo consumindo uma autofagia de conteúdos, porém fica um vazio, um silêncio ensurdecedor e diabólico, é assustador.
A forma que procuro para sanar minha síndrome hipocondríaca-digital é usar longas doses homeopáticas do celular, contudo essa heroína não me ajuda mais, o feed me suga e não consigo sair. Às vezes só queria tacar esse retângulo de vidro na parede, o que me impede é a FOMO desse “alguém” querer falar comigo, isso ronda minha consciência como um tubarão, toda vez que tento me livrar e pôr o pé na água parece que irá me atacar.
O que tem me salvado é ver desenhos, os mais bobos, eles me remontam a um período mais tranquilo e simples que mesmo na solidão me preenchiam. Era a única tela que tinha e nela sabia que em algum momento aquilo acabaria, a programação fazia o papel de anunciar o fim nela mesma, agora não, sempre tem mais e mais para ver, o meu cérebro está viciado nessa droga, só queria poder sair.
Eu estou doente.






